HPV – Condiloma Acuminado – Papilomavirose humana
Sinonímia
Condiloma acuminado, verrugas anogenitais, thymus, fícus, crista-de-galo,
figueira e HPV.
Conceito
Causada pelo HPV (Human Papillomavirus – papilomavírus humano) é a
virose mais comum transmitida por via sexual. Todavia, nem sempre se pode definir
o modo e quando a contaminação ocorreu. É mais prevalente
nas mulheres e está ligado às neoplasias intraepiteliais do colo
uterino.
Período de incubação
Três semanas a oito meses (em média três meses). Esta variabilidade
pode estar relacionada com a competência imunológica do indivíduo.
Contudo, o tempo pode ser indeterminado.
Agente etiológico
HPV são DNA-vírus, não cultiváveis in vitro. Existem
mais de 100 tipos, sendo 35 específicos para o epitélio anogenital.
Os tipos mais freqüentes, de acordo com o aumento de risco para neoplasia
intraepitelial cervical (NIC), são:
Baixo risco – HPV 6, 11, 42, 43, 44: são encontrados, comumente,
não-integrados ao genoma da célula hospedeira. Estão mais
presentes em lesões condilomatosas (verrugas).
Intermediários – HPV 33, 35, 51, 52.
Alto risco – HPV 16, 18, 31, 39, 45, 56, 58, 59, 68: são encontrados,
geralmente, integrados ao genoma da célula hospedeira. Estão
associados às displasias moderadas, acentuadas, carcinomas in situ e
invasores.
Verdadeiramente, as lesões de alto ou baixo grau não dependem
exclusivamente do tipo viral, mas sim de um complexo e ainda não totalmente
decifrado sistema de mecanismos de agressão e defesa. Existem lesões
benignas causadas pelos tipos de alto risco e lesões malignas pelos
de baixo risco. Ou até com os dois tipos.
Manifestações clínicas
Trabalhando com a medicina por evidência científica, atualmente
já se pode afirmar que estudos genéticos com HPV demonstraram
que essas infecções poderão seguir três cursos:
•
Apresentar-se como infecções transitórias, em cerca de
50% dos casos, com completa eliminação do vírus, caso
o organismo esteja imunologicamente competente.
•
Determinar o aparecimento de lesões que, por sua vez, podem regredir
espontaneamente em 30% a 50% dos casos.
•
Evoluir para lesões que, mesmo após tratamento, não conduzam à eliminação
viral, estabelecendo infecções persistentes, resistentes aos
tratamentos convencionais, as consideradas de alto risco para desenvolvimento
de câncer.
As lesões podem ser únicas ou múltiplas. Estas podem
desaparecer espontaneamente ou evoluir em número e tamanho até formarem
grandes massas vegetantes com o aspecto de “couve-flor”.
Podem expressar-se de forma clínica ou subclínica (melhor visualizadas
com ajuda de instrumentos – colposcópio)
Localizações mais comuns:
Homem: glande, prepúcio, frênulo, sulco balano prepucial, meato
uretral e bolsa escrotal.
Mulher: vulva, períneo, meato uretral e colo do útero. Quase
sempre há concomitância de corrimento vaginal.
Em ambos os sexos, ocorrem, com freqüência, envolvimento do ânus,
reto e boca.
Para auxiliar na visualização de lesões subclínicas
utiliza-se o ácido acético a 1%-3% que torna a área suspeita
esbranquiçada (acetobranca). Entretanto, tal acetoreação
não é patognomônica, ou seja, definidora de infecção
por HPV. Inúmeras razões podem conferir reação
branca ao ácido acético sem significar doença por HPV.
Por exemplo: esfoliações traumáticas, infecção
dor fungo...
Diagnóstico laboratorial
Citologia e histologia podem apontar o efeito citopático (alteração
da célula causada por um determinado fenômeno/infecção)
mais característico: coilocitose.
Para a caracterização da presença viral dentro das células
podem-se usar microscopia eletrônica, imuno-histoquímica e técnicas
de biologia molecular – captura híbrida ou PCR (reação
em cadeia por polimerase).
Avaliação dos métodos laboratoriais
O uso rotineiro do teste de HPV por biologia molecular é controverso.
Em casos de ASCUS, alteração de células escamosas de significado
indeterminado, pode indicar necessidade de mais cuidado, se tipos de alto risco
estiverem presentes. Mas, quem dita a conduta clínica é o grau
de alteração celular, não a presença/ausência/quantidade
de partículas de HPV. Entretanto, existem trabalhos que indicam a pesquisa
de DNA de HPV de alto risco para rastreio de populações suscetíveis
a câncer de colo uterino.
Exame Sensibilidade % Especificidade %
Sondas de DNA 88-89 96-98
Tratamento e controle de cura
Aplicação pelo próprio paciente: a) Podofilotoxina a 0,5% – usada
em ciclos de duas vezes ao dia por três dias, dando-se um intervalo sem
aplicação por quatro dias. Não deve ser usada por mais
de quatro ciclos. Irritações locais são freqüentes.
Deve-se orientar o paciente para cessar o uso quando isso acontecer. Não
usar em grávidas. b) Imiquimod (creme a 5%), uso tópico. Não é indicada
para uso interno. Efeito colateral como irritação/queimadura
no local não é raro.
Aplicação pelo médico: a) Podofilina a 25% (em tintura
de benjoim) – teratogênica, não sendo indicada para mucosas.
Deve-se lavar a região quatro horas após a aplicação.
Cuidados com os excessos – repetir aplicação a cada semana.
b) Ácido tricloroacético (40% a 90%) – realiza coagulação
das proteínas – repetir a aplicação semanalmente.
c) A remoção das lesões pode ser o método mais
simples e eficaz. Várias são as maneiras de proceder a excisão
das lesões. Desde com tesoura delicada e posterior cauterização
suave das bases a uso de laser ou bisturi elétrico. d) Crioterapia com
nitrogênio líquido em cada lesão – repetir a aplicação
cada semana. e) Interferon – uso sistêmico ou intralesional, apresenta
efeitos colaterais tipo mal-estar geral gripal. Isolado não é melhor
os tratamentos anteriores.
Para alguns, a combinação de tratamentos pode diminuir as recidivas.
Todavia, podem aumentar as complicações.
Aconselhamento de medidas adjuvantes: higiene geral e genital, tratamento das
patologias associadas.
Após seis meses sem apresentar manifestação clínica
da doença o paciente deve receber alta.
Complicações
Está muito relacionado com lesões intra-epiteliais do colo uterino
(NIC). Em menor freqüência, também às de vagina, vulva
pênis e ânus.
A maioria dos cânceres tem etiologia multifatorial. O HPV parece ser
insuficiente para produzir sozinho a transformação maligna. Vários
fatores podem estar envolvidos, principalmente co-infecção com
clamídia e herpesvírus. Fumantes também apresentam risco
aumentado.
Grandes massas condilomatosas (lesões múltiplas e volumosas de
condiloma acuminado) podem exigir largas cirurgias. Assim, deformidades podem
ocorrer após as cirurgias.
Diagnóstico diferencial
Condiloma latum (condiloma plano/sifílides papulosas – sífilis
secundária), molusco contagioso, tumores benignos, malignos e neoplasias
de origem não-viral.
Observações
•
Em 5% dos casos de NIC não se encontra HPV.
•
Tratamento de infecções secundárias locais e sistêmicas
favorecem a remissão das lesões. O mesmo acontece no pós-parto.
•
Quando existem inúmeras terapias é porque nenhuma delas é suficiente
para um ótimo controle. Todas, para o HPV, sem exceção,
possuem altos índices de recidiva (> 50%).
•
Com os conhecimentos atuais, não é verdade dizer que uma vez
com HPV sempre com HPV.
• As NIC, principalmente as de baixo grau ou grau I, em sua maioria tendem
a involuir.
•
Só pensar em parto cesáreo quando as lesões obstruírem
o canal de parto, impossibilitarem qualquer tipo de episiotomia, lesões
cervicais de alto grau ou vegetantes com alto risco de lacerações
e hemorragia.
•
Reexaminar o paciente três meses após desaparecimento das lesões é uma
boa conduta.
•
Condiloma gigante é uma entidade conhecida como tumor de Buschke-Löwenstein
e significa uma manifestação por HPV 6/11 fortemente agressiva
local no que diz respeito ao comprimento da região genital. Histopatologicamente
não é maligno.
•
Por acreditar na transmissão sexual e na associação de
DST somos favoráveis à consulta dos parceiros. Isto é diferente
de apenas fazer exame visual do pênis (peniscopia).
•
As agressões emocionais por verbalização de conceitos
inverídicos ou ultrapassados podem ser maiores do que as lesões
clínicas.